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Mas, o que é o Agbê?

 

O Agbê (ou xequerê) é um instrumento de origem africana, produzido através de uma cabaça revestida com uma rede de miçangas e que, quando tocado, produz um som típico e que sustenta e preenche os intervalos rítmicos de um toque ou baque.

Historicamente, o agbê não é um instrumento de Maracatu e sim de cultos religosos (principalmente do Candomblé). A maioria dos instrumentos tradicionais tem uma função religiosa. Nesse sentido, eles são considerados sagrados e, ao contrário do que muitos pensam, não são representação divina, mas sim o próprio deus. O xequerê, do ioruba sèkèrè (cabaça- tambor com redes de búzios), tem seu mito de nascimento nos versos do odú Eji Oko a explicação de como uma simples cabaça ganhou sua “túnica” de búzios.

 Na história, os acontecimentos ensinam que muito espertamente o xequerê roubou a roupa de outro instrumento, um grande amigo, para apresentar-se na frente do rei. Importante lembrar que o búzio era usado como moeda entre os iorubas e só pessoas muito ricas o tinham em grande quantidade para usar em roupas, brincos ou colares.
Mais um importante nome desse instrumento é o agbê, do ioruba agbe,kengbe ou ainda akeregbe. Segundo o antropólogo Vivaldo da Costa Lima, é esse instrumento que nomina os conhecidos alabês, do ioruba alagbe (dono do agbê), os fantásticos tocadores-chefes e cantadores dos candomblés brasileiros.

Até o final da década de 1980, o agbê não era um instrumento popular no estado de Pernambuco. Nessa época, Afoxés passam a ser comuns no carnaval de Recife, e o agbê passa a tornar-se mais presente nesses grupos.

No ano de 1997 uma das tradicionais Nações de maracatu de Recife introduz o agbê entre seus instrumentos – tocado por uma figura masculina. A partir de então – e aos poucos – outras Nações também introduziram o instrumento em seus baques, desenvolvendo uma nova forma de tocá-lo e gerando as grandes alas de agbê que encontramos hoje em alguns maracatus de Recife.

Confira um vídeo com um pouco do trabalho didático que Angela Gaeta e Jordana Schiavini criaram no Projeto Calo na Mão para introduzir e estimular o aprendizado das meninas que queriam tocar agbê. Note que é uma série de vídeo-aula – só para dar um gostinho de como será nossa oficina no Diálogos!

 

Foto por: Rogério Sant’Anna

Fontes: Talabatuquee e Casa do Tambor Percussão

 

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Conheça um pouco mais…

Vocês devem estar curiosos para conhecer um pouco mais do trabalho dos nossos convidados para o Diálogos…

Por isso, além de recomendá-los ler e conhecer melhor Angela Gaeta  e Aurelio Prates, escolhemos também um vídeo que os mostra em ação.

Este vídeo, produzido por Francisco Schuller Isensee, mostra um pouco do trabalho feito no Projeto Calo na Mão, do Grupo Bloco de Pedra. É um projeto pioneiro, na cidade de São Paulo, em oferecer oficinas de Maracatu gratuitas e irrestristas. Angela e Aurélio, como muitos outros artistas de São Paulo, também tiveram o primeiro contato com a manifestação ali.

É um projeto muito legal, que respeita e carrega o Maracatu com seriedade e permite que muitas pessoas tenham seu primeiro contato e acesso à manifestação, possibilitando assim a criação de novos grupos e a formação de novos artistas na cidade. Ainda, nos últimos anos, o projeto recebe apoio do Programa VAI, possibilitando diversos recursos que incrementam o contato com o Maracatu. Vale a pena conhecer! (Saiba mais em blocodepedra.maracatu.org.br).

Veja o vídeo, atente-se ao nosso formoso Aurélio coordenando a Ala da Dança e nossa querida Angela na Ala dos Agbês!

Aguarde novos posts com fotos, vídeos e mais informações sobre nossos convidados!

Axé!