Nação Porto Rico

O Maracatu Porto Rico tem um histórico de resistência, de idas e vindas, surgimento e desaparecimentos sucessivos, até chegar ao apogeu de sua contemporaneidade. Sua fundação oficial em livro de registro data de 1916, na cidade de Palmares/PE, desenvolvendo-se lá por vários anos.

Sua fundação oficial em livro de registro data de 7 de setembro de 1916, no sitio de Palmeirinha, na cidade de Palmares/PE, sob liderança de João Francisco do Itá.

Chico de Itá foi rei da nação e remanescente do Quilombo dos Palmares e a rainha citada na ata é Maria dos Prazeres. Pereira da Costa publica uma nota em um jornal recifense, de 1914, uma informação que contradiz essa data de fundação: “Fez ontem seu dendê em frente a nossa tenda de trabalho o velho Maracatu Porto Rico”.

Dessa forma, segundo Pereira da Costa, Porto Rico já era um velho maracatu 2 anos antes de nascer. Guerra Peixe conclui que essa fundação é apenas uma nova fase de uma agremiação que já existia.

Por falta de incentivo, a Nação entrou em declínio, reaparecendo sob a tutela de Zé da Ferida, em Recife, no bairro de Água Fria, com o apoio de Pereira da Costa e da COC (Comissao Organizadora do Carnaval). Zé da Ferida era remanescente do Quilombo dos Palmares, segundo Guerra-Peixe, e participava do grupo homônimo de lá. É ainda no livro deste autor que encontramos que lá eram usados ‘mulungus”, instrumentos semelhantes ao atabaque, ao invés de zabumbas. No século XXI, Mestre Shacon Viana trouxe de volta os tambores de mão para o som do Maracatu Porto Rico.

Durante anos participou dos desfiles de carnaval até que a repressão às manifestações afro-brasileiras foi imposta, fragmentado os grupos organizados, em especial as Nações do Maracatu e, na década de 50, após a morte do mestre Zé da ferida, o maracatu foi recolhido para o museu.

Apenas no final dos anos 60 o maracatu Porto Rico foi resgatado e voltou às ruas de Recife. Reinaugurado com o nome de Porto Rico do Oriente em 1967, no bairro do Pina, com o coroado mestre e Babalorixá José Eudes Chagas e o apoio de Luiz de França e Veludinho (o mais antigo batuqueiro de maracatu de Recife), venceu o carnaval de rua de Recife no ano seguinte, na categoria de maracatu-nação, com todo seu esplendor, quando trazia em seu desfile uma réplica da caravela Santa Maria, iluminada por dentro e rolando sob rodas de bicicleta, recebida de presente de um artesão da comunidade do Pina. Essa réplica representa a chegada de escravos africanos no Brasil e é utilizada como símbolo da Nação Porto Rico.

No mesmo carnaval o Maracatu Porto Rico foi homenageado pela Comissão Pernambucana de Folclore por ter sido responsável pela restauração de uma tradição folclórica em perigo de desaparecimento. Destacando-se nesse período a atuação da antropóloga Katarina Real , quem entregou o prêmio e muito contribuiu para a pesquisa e a preservação do folclore Pernambucano e a reorganização do carnaval de Recife, principalmente ao resgate da Nação Porto Rico.

Em 1978, com a morte de Eudes, mais uma vez o maracatu retorna ao museu, ressurgindo em 1980, com a última rainha coroada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a Yalorixá Elda Viana, cerimônia posteriormente proibida pelo Vaticano por causa da sua ligação com o candomblé.

Nos anos 80, Mestre Jaime e seu trabalho junto à Nação marcam nossa história .

Mesmo sendo proibida a cerimônia Porto Rico teve mais uma coroação do seu Rei sendo essa na igreja da comunidade do Pina pelo Padre Rinaldo no dia 02 de abril de 2009. Hoje Porto Rico tem sua Rainha Elda Viana e seu Rei Riva, ambos coroados na igreja como no passado, em cerimônia supostamente feita pelos portugueses no Brasil.

retirado de http://nacaoportorico.maracatu.org.br

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