Nossa casa, Sociedade 13 de Maio.

À Luz da 13 de maio

As saias longas de algodão que sacodem aos domingos na Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio lembram um tempo em que os anarquistas usavam terno e gravata. De 6 de junho de 1888 até aqui, o estilo das saias mudou – hoje já se admite a convivência entre as brancas longas e as curtas com estampas de oncinha –, mas o gingado continua parecido.

Esses 123 anos, que separam a primeira batucada dos bambas de Curitiba e os bailes de hoje, misturam no mesmo enredo várias histórias. São faíscas rebatidas em um tema que até agora sofre certo grau de miopia. O resgate da história da 13 de Maio, assim como da participação do negro na história do Paraná, ainda está em fase de construção.

 

Sobre anéis e bolos

Em um domingo, no canto escuro à direita, Reginaldo da Silva Martins compartilhou seu prestígio com convidados da família 13 de Maio. Não eram primos e nem sobrinhas de sangue. O bolo que marca a colocação da 35º vela na contagem dos anos foi destinado aos seus irmãos de dança. “Acabei criando um vínculo com várias pessoas aqui, aí comecei a fazer aula de dança também. Conheço quase todo mundo que vem no domingo.”

Reginaldo parece ter saído naquele dia com a mesma peça de roupa “pintada” por Assis Valente na canção “Camisa Listrada”, imortalizada na voz de Carmem Miranda na década de 1930. Assim como o personagem da canção, o dançarino também tenta disfarçar algo. Depois que ele baixa a cabeça e cochicha no ouvido da moça, forrozeira, o sorriso que ela lhe oferece em troca fornece pistas para os que fazem apostas. Talvez em breve haja mais do que só bolo de aniversário para as famílias de Reginaldo.

Leandro e Larissa Ribas, por exemplo, trocaram anéis para formar uma nova família depois de três anos e vários forrós na 13. Namoraram, noivaram e distribuíram bolo de casamento aos amigos. Os dois têm na lista também outro tipo de festa. Já fizeram um chá de bebê – a filha do casal nasceu há um ano.

Retrato da família 13

A luz da sociedade de maio projeta ainda a ideia de que a formação de uma grande família está presente desde o começo. O atual presidente, Álvaro da Silva, conheceu o lugar por meio do pai, Euclides da Silva, que fez parte da sociedade durante 40 anos, até 1995, quando faleceu. Era administrador de bailes e barbeiro na Saldanha Marinho, mas não quis deixar a navalha como herança ao filho; preferiu fazer seu testamento em forma de um ensinamento. “Meu pai”, conta Álvaro, “dizia que se existe uma coisa que tinha de cuidar era da 13 de Maio, porque é uma casa construída por negros.”

Álvaro tem uma filha de sangue e um sem número de filhos com os quais já deixou a missão de contar e seguir a história da sociedade. “O clube surgiu para amparar com moradia, saúde e trabalho os negros libertos. Também eram feitas gafieiras para arrecadar dinheiro com o intuito de ajudar as pessoas que estavam próximas ao clube e precisavam de auxílio”, conta Filipe Castro, há dois anos colaborando no cuidado da 13 junto com Seu Álvaro.

A 13 se organizou ainda para que seus mortos não fossem enterrados como indigentes. Comprou um espaço no Cemitério Municipal para o qual foram levados cadáveres depois de terem sido “bebidos”, como eram chamados os velórios nos primeiros anos do século 20. Hoje, para encontrar o espaço da sociedade no cemitério, basta andar 308 passos pela porta principal à frente e outros 40 à direita. O jazigo já foi maior, tem agora oito gavetas. Não se sabe ao certo quantas pessoas estão enterradas ali e não há indicação de nomes. São apenas dois números gravados em plaquinhas de metal.

Fundação é anterior a 1888
Antonio Carlos Senkovski

O que nas famílias convencionais pode soar como algum tipo de trauma, no caso da Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio está perto de uma solução. O advogado Thiago Hoshino, junto com mais duas pessoas, decidiu abrir o baú velho das lembranças em papéis e fotos carcomidas para organizar a história do clube. O resultado da pesquisa, em fase de desenvolvimento, já levou o grupo a descobrir, por exemplo, que a primeira sede surgiu de modo extraoficial antes mesmo do dia 13 de maio de 1888. As reuniões aconteciam na casa de João Batista Gomes de Sá, morador da antiga Rua do Mato Grosso.

Hoshino diz que o que mais surpreende nessa descoberta é que o local da sede inicial não era um lugar habitado por negros. “Aquela região era ocupada pelos barões da erva mate. Provavelmente João Sá era um senhor de posses. Onde se suspeita que havia maior quantidade de negros é o Alto São Francisco, local da sede da 13 desde, pelo menos, 1896. Perto desse espaço possivelmente moravam alguns escravos, mas é difícil encontrar fontes sobre isso porque os escravos eram proibidos de alugar casas.”

 

A família mudou

Das primeiras gafieiras domingueiras até as batidas compassadas da zabumba nos domingos de hoje, não foi só o ritmo do palco da 13 que ficou maleável. A tolerância com os tênis e os homens sem terno e “cipó” se refletem também na ampliação de como atua a sociedade agora. Mais do que bailes, estão entre as atividades do salão aulas de capoeira, ensaios de maracatu, forró e o velho samba. Seu Álvaro já não está sozinho e parece querer deixar sua herança aos novos bambas na forma de um ensinamento, para seguir a tradição: “Como diz o outro, aqui ninguém é diferente. Entrou no tacho é tudo igual.”

O palco da Sociedade Operária Beneficente, fundada por negros libertos no final do século 19, parece cumprir hoje o papel de dar uma parcela de luz a esse capítulo ainda obscuro da história de Curitiba. Fisicamente são 43 lâmpadas no salão. Juntas, com a mistura das cores, elas dão conta de mostrar antes de tudo o motivo de cada pessoa estar ali.

A casa 274

Vento fresco da noite de um domingo de março anunciava a chegada do outono e acolhia as pessoas que, aos poucos, iam se aglomerando em frente à Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio. Enquanto os mais sensíveis se enrolavam em casacos finos, as conversas se multiplicavam na calçada e o movimento de carros e motos tornava-se mais intenso na rua de paralelepípedos até então mal iluminada.

Faltavam poucos minutos para as 20h30 e, do lado de fora do prédio, que àquela hora mesclava suas cores bege e salmão com as sombras cinzentas projetadas pela luz amarela das lâmpadas públicas, já se podia ouvir os primeiros acordes da banda Areia Branca, que animaria o clube em poucos instantes, ao som de um legítimo forró pé-de- serra.

Em grupos, sozinhos, apaixonados ou melancólicos, todos se organizaram em fila até que surgiu o segurança na pequena porta mais à esquerda da casa para liberar a entrada. Homens R$ 15, mulheres R$ 10, e logo o salão da sociedade foi se enchendo de alegria e tomado de um frenesi incontrolável, daqueles que só podem ser explicados pelo prazer lúdico da dança.

Ao som do forró, ninguém era mais desconhecido, porque todos pertenciam a uma grande família. Buscavam nos sorrisos, nas gentilezas e nos rodopios uma companhia para a próxima música, independente de idade, estatura ou cor.

História

No entanto, o chão da sociedade – hoje coberto por tacos lustrosos por onde os casais deslizam de maneira deslumbrante – nem sempre sustentou só alegria. A 13 de Maio, que é a segunda sociedade negra mais antiga do país, foi fundada por escravos já libertos e letrados de Curitiba menos de um mês após a assinatura da lei que oficialmente colocou fim à escravidão no Brasil, em maio de 1888. A intenção era criar um centro de auxílio para todos os ex-escravos da cidade, que estavam livres, mas sem profissão e sem qualquer outro tipo de apoio para sobreviver.

Marco de um momento de extrema relevância histórica para a capital paranaense e para todo o país, a sociedade, porém, ainda não passa de uma casa de diversão para alguns que a frequentam. Isso não é de todo mal se comparado a uma boa parte da população curitibana que nem sabe da existência do clube, localizado no bairro Alto São Francisco, um dos mais antigos da capital.

Diante de tal situação, não é espantoso saber que o espaço passa longe de ser um dos pontos de atração turística de Curitiba. Pelo menos passava, pois ainda no início desse ano o clube integrou parte de um roteiro de visitas alternativo, organizado por uma agência de turismo que percebeu na importância histórica de alguns locais da capital – como a Sorveteria do Gaúcho e o túmulo de Maria Bueno – uma nova maneira de conhecer e de divulgar a cidade.

Enquanto alguns se esforçam para manter viva a lembrança e a importância do 13 de Maio e outros continuam a ignorar a história e a existência do lugar, a sociedade se mantém como um ponto de disseminação da mais pura cultura brasileira: entre sambas, forrós, maracatus e capoeiras, todos ali convivem em um sistema onde o respeito e alegria são as ordens da casa.

No enorme salão de paredes amarelas por onde estão espalhadas cerca de trinta mesas de madeira tosca pintadas de preto e cobertas com toalhas brancas, os vestidos de chitas e as sandálias rasteiras convivem pacificamente com os ternos amarrotados, as calças coladas e as botas de couro de salto fino. Os setentões mostram suas habilidades na dança; os mais jovens acompanham tudo entusiasmados, com o espírito de quem ainda têm muito o que aprender e muito o que dançar.

O presidente da sociedade, Álvaro da Silva, um mulato magro, simpático, de voz arrastada e cabelos grisalhos, tem orgulho de estar à frente de um local onde todos se encontram alegre e pacificamente para curtir o que o Brasil tem de melhor: sua cultura. Ele acredita que o espaço da 13 não deve ser restrito, mas que todos têm o direito de colaborar para transformar a casa em algo ainda mais aberto e convidativo, da maneira que melhor lhe agrade. “Se o cara não quiser chamar a casa de 13, chama 31. Ou se não, diz 274, que se somar dá 13 mesmo”.

História Mal-contada

“Uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade.” A frase que corriqueiramente está presente nas conversas de bar ou em um fuxico entre vizinhos é atribuída a Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler na Alemanha Nazista. A propaganda foi um dos elementos chaves na disseminação da ideologia nazista trazendo consequências que mudaram o rumo da humanidade. Ela reflete o que já se ouviu muitas vezes em Curitiba: um fato que, apesar de não ser verdadeiro, acabou sendo acatado como verídico pela população. Acredita-se que na capital paranaense não houve escravidão ou que não há presença de negros por aqui. Pior ainda, que Curitiba é uma cidade de sangue europeu. Pura mentira.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que no ano de 1872 a população negra ou parda na capital paranaense cobria uma faixa de pouco mais de 9% da população do município. No senso 2010, esse porcentual chegou a cerca de 25% dos 1,7 milhão de curitibanos. Independente da época e do porcentual que essa etnia representa, a verdade é que as questões que abrangem a formação de uma identidade negra, tanto como a preservação de sua memória e de seus territórios históricos, estão profundamente desvinculadas da formação social, cultural e histórica de Curitiba.

O negro e toda sua contribuição para a capital paranaense não estão devidamente representados dentro da história oficial ou daquela contada nas ruas ou nas casas. Um dos sinais da descaracterização do patrimônio de referência negra está próximo às Arcadas do Pelourinho. Elas estão localizadas na Praça Generoso Marques, bem atrás do Museu Paranaense. A estátua da Maria Lata D’Agua, construída na praça, não é um elemento de referência à cultura afrobrasileira e, sim, homenagem a um escultor, de acordo com os pesquisadores Pedro Rodolfo Bodê de Moraes e Marcilene Garcia de Souza no artigo “Invisibilidade, Preconceito e Violência Racial em Curitiba.”.

Segundo o artigo, “quando comparamos cada um dos monumentos/monumentos, a visibilidade dos primeiros e a invisibilidade desses últimos é flagrante.” Traduzindo, os primeiros são as obras que evidenciam a cultura europeia na cidade e, os segundos, aqueles que representam a etnia negra.

Outro exemplo está na Praça Zumbi dos Palmares, localizada no Pinheirinho. Além de estar distante da região central, está abandonada. A praça foi erguida como um espaço de valorização da cultura afro-brasileira. O artigo ainda faz referência a um bloco de granito localizado na Praça Santos Andrade e que seria uma homenagem da Câmara Municipal à cultura afro-brasileira. Mas, “a obra que lembraria a população negra passa despercebida em meio à paisagem”, de acordo com o artigo de Bodê e Marcilene.

Para o advogado Thiago Hoshino, que pesquisa a história da Sociedade 13 de Maio, a situação é ainda mais profunda, já que houve um planejamento territorial da cidade e se tinha claro que o negro deveria estar fora dos espaços de poder, isto é, fora do centro da cidade. “Você anda pelo Centro de Curitiba e percebe que essas pessoas não estão aqui, não circulam por aqui. Isso porque a cidade é pensada não para reverter, mas para manter, intensificar a segregação étnico-espacial, sócio e étnico-espacial.”

O artigo lembra ainda que se projeta no planejamento urbano da cidade o lugar social e político que supostamente essas pessoas deveriam ocupar, que acaba sendo a periferia. “É onde essas pessoas estão, na região metropolitana, ocupando áreas de preservação ambiental para serem despejadas depois. Então, em Curitiba se constrói essa identidade europeia, branca, moderna. Onde, assim, os negros se tornam uma população sem território.”

Por outro lado, nem sempre foi assim. No final do século 19 e início do 20, os negros tinham uma participação considerável nas áreas centrais da cidade. Por exemplo, a Igreja da Nossa Senhora do Rosário foi construída pelas mãos deles e muitos negros foram enterrados por ali, naquela época. Além disso, de acordo com Hoshino, há uma suspeita de que os escravos que voltaram da Guerra do Paraguai começaram a interferir na estrutura social da cidade com a construção de clubes e movimentos que buscavam agremiar interesses em comum. A Sociedade 13 de Maio, por exemplo, nasceu a partir dessa perspectiva e, talvez, apoiada pelo Clube do Militar, o qual participava também de passeatas pela abolição da escravatura na cidade. Esses negros que voltaram libertos da guerra chegaram ao Brasil questionando e desejosos de derrubar a escravidão e, além da possibilidade de terem se associado aos militares, também começaram a ter influência junto aos trabalhadores autônomos. Durante a Guerra do Paraguai, um número considerável de escravos foi liberto para compor o exército brasileiro. O governo imperial criou, em 1866, uma lei que garantia liberdade a todo escravo que se alistasse e gratificava os donos que lhes davam a liberdade para guerrear. De acordo com Hoshino, a escravidão em Curitiba não foi tão significativa como em outros estados do país, mas há uma peculiaridade. “A escravidão urbana foi significativa, suficiente, por exemplo, para se criar um grupo de ex-escravos, escravos libertos, com relações políticas importantes, com influência, que é o caso desse grupo que fundou a Sociedade 13 de Maio.”

A propaganda criada em torno da identidade dos povos europeus foi outro fator preponderante para a tentativa de tornar invisível a figura do negro na sociedade. Um dos argumentos que podem ser citadas é a criação de termos como “Curitiba: a capital das etnias” ou “Capital de Primeiro Mundo.” Esses foram termos muitas vezes cunhados por políticos que, para aumentar seu cacife eleitoral, despertaram identificações latentes e já presentes no imaginário local. Nesse sentido, o artigo “Invisibilidade, Preconceito e Violência Racial em Curitiba” aponta que até mesmo as escolas do município serviram de base para a propagação do ideal de exaltação da cultura europeia frente ao afrodescendente.

Espírito de Maio

Não dá para negar que é grande a expectativa em conhecer uma casa centenária, como a que abriga a Sociedade 13 de Maio. A impressão que se tem é de que — ao passar pelo portão de ferro e subir a pequena escada que dá acesso à bilheteria — o corpo todo, do último fio de cabelo até a sempre estranha unha do dedinho do pé, será tomado por um súbito baque de encantamento histórico.

Cada bloco assentado reservaria uma informação diferente; a tinta nas paredes, embora aplicada há décadas, manteria o frescor da memória de um povo, ainda hoje. Infelizmente não é o que acontece. Não exatamente.

As mesas, forradas todas com toalhas brancas e as cadeiras já velhinhas (com um furo ou outro no estofado), é claro, não desembestam a falar tal como as xícaras de Alice no País das Maravilhas.

Nesse instante de imaginação não correspondida, os mais ávidos podem até se decepcionar. Mas o fato é que quando o samba ou o forró tomam conta do salão principal, o espaço ganha uma cara nova. Ou melhor, o verdadeiro espírito da 13 de Maio. Isto porque os tijolos e o cimento podem ter dado forma às paredes, mas o que as sustenta verdadeiramente é a história. E o que faz a história, como se sabe, não são apenas móveis ou concreto, mas — e sobremaneira — toda a gente que dança, canta, bebe, come, bate papo, namora. Vive.

“É um espaço que, se a gente for olhar, não tem muito atrativo. Se você for a um bar country ou a um rodeio da vida, é tudo cheio de onda, e aqui a gente não tem esse luxo”, admite o colaborador Wilson Silva, o “Lirou”, com o aval do presidente, o “seu” Álvaro da Silva. “Mas da porta pra dentro é tudo igual, ‘nêgo’: a sua cerveja não vai tá menos gelada que a minha, porque tá na mesma geladeira; e não tem essa coisa de eu estar na minha mesa sozinho, eu divido a mesa contigo, pode sentar, colocar a cerveja ali.”

A 13 de Maio, de fato, não é chique. A 13 não é balada. Contudo, a hospitalidade da casa é capaz de cativar mesmo um público mais jovem, formado em boa parte por gente de 25, 30 anos. “Até hoje tem gente que me pergunta: ‘mas a 13 de Maio é pra velho, pra terceira idade?’ E eu falo: ‘não, meu baile é mais muito mais jovem do que velho’. Mas nesse caso, eu até nem dei muita bola, porque o cara já quis tirar uma casquinha; não conhece o que acontece aqui dentro e queria tirar um sarro”, brinca o “seu” Álvaro.

O funcionário público José Wigineski, por exemplo, de 50 anos e que há 20 frequenta a casa, lembra que antes a faixa etária do público era um pouco mais elevada. Não significa, entretanto, que os mais veteranos não sejam bem aceitos hoje em dia. Muito pelo contrário. “Quem vem é amante da música. É um lugar que mantém as raízes, as tradições”, opina, entre uma dança e outra no domingo de forró.

“O ambiente é gostoso, tem gente de todos os tipos”, acrescenta a psicóloga Gabriela Borba, que conheceu a Sociedade há cinco anos, por meio de amigos músicos que se apresentavam no local. No entanto, apesar do tempo razoável de 13 de Maio, ela diz não conhecer a fundo a história da casa. “A gente lê nas placas que têm aqui. Acho que falta divulgação, tinha de ser mais valorizada, é uma riqueza.”

E Gabriela não é a única. É, na verdade, comum entre o público o desconhecimento a respeito do que a Sociedade representou – e ainda representa – para a identidade do curitibano. Também psicóloga, Ariadne Farias conta que não ia à 13 há dois anos. Da última vez, ela ainda não sabia de todo o passado da casa, mas, há mais ou menos um mês, uma amiga lhe pôs a par de muito do que se passou nesses mais de 120 anos. E Ariadne garante que, no retorno, a sensação foi completamente outra. “Dá uma vibração diferente quando você entra, uma energia que carrega, de saber que tanta coisa aconteceu aqui.”

Branco no preto

Embora fundada por ex-escravos, a Sociedade 13 de Maio nunca se ateve, somente, à participação dos negros. Com o passar do tempo, inclusive, o branquelo (quem diria) tomou gosto pelo ziriguidum, provou que gingado de Robocop é coisa de turista e hoje compõe a maioria do público em muitos bailes.

Esse perfil peculiar, todavia, implica em uma observação preocupante: o afastamento do negro de suas próprias origens. “É como dizem: ‘poxa, mas eu vejo só branco’. Aí eu pergunto pra mim mesmo: cadê os negrão que não vêm? Ele chega aqui e não vê um neguinho, então não se interessa, não diz pro outro negro: ‘vamos lá, tá bom, tá ótimo, tá beleza’. Ele vai até criticar, eu acho, vai dizer: ‘não vi um preto lá, só vi branco. E ainda se diz 13 de maio’”, comenta Álvaro. Mas ele logo trata de afastar as lamentações e tornar ao bom humor habitual. “A casa está aberta pra todos. Tem até um velhão chinês que vem aqui e gosta de um forró. E pensa que as menininhas não dançam com ele? Dançam, sim, é!”

Veja mais em Gazeta do Povo – À luz da 13 de maio

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: